Não faltavam lugares pra deitar, e a gente experimentou todos: cama dos pano, colchãozinho na varanda, e as redes no terraço que davam pra essa vista
Taganga é um lugar cheio de gringo europeu. Logo que chegamos uma holandesa veio querendo nos agendar uns passeios. Até as garçonetes nos restaurantes eram de fora. Pra mim esses locais é que são "não-lugares": há mil tagangas com praia bonita e uma "vibe" de refúgio tropical. É agradável, e pode ser divertido, mas o local e as vivências sempre remetem a uma mesma cultura internacional de jovens "alternativos" estrangeiros - uma galera que curte uns lance jamaicano, uns negócio oriental, umas droga européia e pedem pra bater fotos abraçados em árvores.
Em Cartagena, um cara do hostel nos arranjou um lugar pra ficar em Taganga, na casa de um tiozão chapado que improvisou uma escolinha no lugar.
O parque nacional de Tayrona segue a mesma estratégia de fazer a entrada horas de caminhada das principais atrações, forçando o turista a dormir dentro dele por preços salgados (uma barraca ou rede sai 2x o preço de um hotel numa cidade próxima).
Fizemos trilha prum tal de pueblito, umas ruínas indígenas. No fim a atração em si é mais um daqueles pontos turísticos meio forçados, como as inscrições rupestres do Santinho. Parece que toda costa de praias bonitas precisa de um sítio arqueológico pra ser levada a sério, ou pros designers gráficos das pousadas ter onde encontrar uns rabiscos pra servir de logo pros empreendimentos.
                                 A trilha, no entanto, é bem legal.
Haviam praias onde era proíbido entrar na água. Vimos três pessoas serem ordenadas a sair do mar. O motivo era por serem praias perigosas, mas não pareciam mais violentas do que muitas do nosso litoral.
Descobrimos que era possível sair do parque por um caminho alternativo. E então esbarramos em uns índios true. Estávamos morrendo de sede pois não sabíamos que a trilha era tão longa. Nos aproximamos de uma cabana e a índia não falava espanhol. Comunicamos a vontade de beber com mímica e ela apresentou um gatorade quente de morango. Depois de refletir por um minuto se valia mais a pena morrer de sede ou beber aquilo, optamos pela primeira alternativa e seguimos adiante. Não tivemos cara de pau pra bater foto da índia com o gatorade.
O costão lembra muito o de Santa Catarina, enquanto os caminhos entre palmeiras remete ao nordeste. Destaque para um campo com centenas de caranguejos gigantes, uma pena que não conseguimos nenhuma foto.
Cabaninhas pros turistas ricos. Eles devem ir aí só pra ficar recebendo massagem, já que é proíbido entrar na praia em frente.