A caminhonete nos largou nesse lugar, a 20km de nosso destino. Não foi tão fácil arranjar carona quanto o motorista nos disse: após 1 hora, não havia aparecido um único veículo. Depois passaram dois, um deles um jipe militar, na direção oposta. Perdemos a tarde entre esses pneus, mas conseguimos a carona.
O povo de Guajira tem fantasias sexuais meio estranhas.
Mitsue sentou na minha coxa esquerda, uma criança na direita, e outra ficou entre minhas pernas. Haviam mais 8 pessoas ali, que não tão na foto (sem contar quem tava no banco da frente e no teto). A distorção da lente faz o espaço parecer muito maior.

O velocímetro da caminhonete não funcionava e o retrovisar estava preso com durex. As vezes a gente parava num trecho de estrada sem absolutamente nada, e alguém descia e saía andando no meio da poeira.
Paramos em Uribia, capital do povo Wayuu, pra procurar transporte pra Cabo de la Vela. Estávamos preocupados com dinheiro, pois não conseguimos sacar dinheiro nas cidades anteriores. Em Uribia havia só um banco, que também não aceitava o tal Visa Plus, que devia se chamar Visa Minus por funcionar em menos lugares.
Passamos mais uma noite dormindo em rede à beira do mar, num lugar sem água (pra ser preciso, com só dois baldes de água). Tinha uma cozinha engraçada e a dona do lugar nos serviu um prato enorme de peixe com aipim.
Eu queria entrar também mas fiquei com medo de estragar o brinquedo.
Esse moleque me convenceu a comprar um doce pra ele, e aproveitei pra comprar um igual pra mim. Vinha numa sacolinha nojenta mas era gostoso. Esqueci de fotografar.
Após muitos entardeceres no Pacífico e no Caribe, finalmente conseguimos ver o sol se pôr no mar. Antes sempre haviam nuvens ou uma camada de neblina o ocultando.
Parece que o sol tava fazendo cu doce, nos enrolando pra aumentar a expectativa. No fim caiu na água no lugar mais bonito e da forma mais espetacular.
Outro resolveu limpar um peixe pra se exibir e me senti obrigado a tirar uma foto pra fingir que achava aquilo interessante.
Cabo de la Vela - poeira, mar transparente, cantos cheios de lixo.
Cabritos monteses também apareceram pra apreciar o espetáculo. Um deles chutou o chão ameaçadoramente quando me aproximei.